- I don´t need you! I can finally say that, I DON´T NEED YOU, MALCOLM! I FINALLY FOUND SOMEONE THAT UNDERSTANDS ME! SOMEONE THAT WANTS ME THE WAY I AM!!
(para saber mais sobre o desafio, clique aqui ) Desvelado em exaustivas sete horas e trinta minutos, denso e arrastado, este filme deve ser uma grande experiência para assistir no cinema. Vi-o durante três ou quatro dias, no sofá de casa. Suas imagens ecoam em minha cabeça. O diretor húngaro Béla Tarr habita uma dimensão imagética muito própria, como Kubrick e Tarkovski. Menos um diretor narrativo que visionário, seus poucos e longuíssimos planos-sequência parecem usar a história adaptada do livro homônimo de László Krasznahorkai (que assina o roteiro com Tarr) como desculpa para construir um filme que grita CINEMA em letras maiúsculas. Seus planos arrojados, que “cortam” dentro da cena (a câmera se aproxima para o “close-up”, afasta-se para um plano de paisagem, roda num “dolly” em torno dos personagens, etc.), fazem extenso uso de 100 anos do vocabulário cinematográfico, sem concessões para planos-detalhe ou o esquema cansado do plano-contraplano do cinema indu...
Fio-me na horrenda conclusão de que eu me basto. Recuo de terror, me engasgo, ergo o mastro, estendo o picadeiro, congregando em mim mesmo meus mágicos, minha linda equilibrista sobre o cavalo, meu mestre-de-cerimônias, meus palhaços. Repentinamente, inicio o ato e não mais me encontro. Distante da tenda, os ventos uivam para além da música, para além do carnaval e da picardia, do sorriso das crianças, da pipoca. Um deserto me assombra em torno dessa ilha de alegria. Infindas paragens. Desmonto a tenda. O circo viaja ao redor das devolutas paisagens, meninos desgarrados juntam-se à caravana, velhos trapezistas são deixados à beira da estrada. O engolidor de facas se amasia com a mulher barbada e abandonam o ato, muitos outros se intercambiam nessa nau dos insensatos, e tudo em mim. Circo de mim caminha. À noitinha, inicio o espetáculo, combatendo os holofotes a treva densa, a fanfarra contra a paz de tudo o que é morto, a algazarra dos santos beberrõ...
Antoine de Saint-Exupéry escreveu que eu sou responsável por aquilo que cativo, mas não, eu não sou responsável por nada, Antoine de Saint-Exupéry era um escritor que desapareceu num desastre de avião, e no momento preciso em que despencou dos céus, quem era responsável por ele? Antoine de Saint-Exupéry nunca me conheceu e assim caminho, imerso numa irresponsabilidade atroz, a sucessão de horizontes a me distrair da banalidade, das pequenas surpresas, do roteiro diário. "Eu não sou responsável por nada", por quê este trovão me soa tão libertador e tão escravocrata? "Eu não sou responsável por nada", expele fumaça e permanece suspensa, sobre as cabeças no café escuro. Posso cortar a âncora e zarpar rumo ao imenso azul profundo, à deriva, presa das tempestades. Meu barco é diminuto, meu barco. Posso divagar pelo deserto sem fim, apreciando a paisagem, mas sem torso quente que me abrigue da noite selvagem. Posso gritar tudo o que penso no vácuo. ...
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