deitamos



Deitemos nesses leitos em meio à folhagem,
cada um vindo de um país estranho,
cada um de seu lar.
Somos mesmos uns desterrados em nossa própria terra.


Exilados,
buscamos o chão nos olhos do outro,
buscamos desesperadamente
o toque gentil da areia molhada por entre os dedos,
o pôr-do-sol calado por entre os morros,
a gíria, o sotaque, sou para ela um experimento linguístico,
examinamos nossas línguas e compomos nova gramática.


Aqui,
na planície escura e desabitada
dos meus desejos, encontrei
a sua certeza torta de deportada.
Um caminho inseguro de quem não entende nada...



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