- Você é um chato que escreve coisas pretensiosas que ninguém lê, que não sabe se vestir ou falar em público, que demora três meses pra ler um livro, que finge erudição quando não a tem...
(para saber mais sobre o desafio, clique aqui ) Desvelado em exaustivas sete horas e trinta minutos, denso e arrastado, este filme deve ser uma grande experiência para assistir no cinema. Vi-o durante três ou quatro dias, no sofá de casa. Suas imagens ecoam em minha cabeça. O diretor húngaro Béla Tarr habita uma dimensão imagética muito própria, como Kubrick e Tarkovski. Menos um diretor narrativo que visionário, seus poucos e longuíssimos planos-sequência parecem usar a história adaptada do livro homônimo de László Krasznahorkai (que assina o roteiro com Tarr) como desculpa para construir um filme que grita CINEMA em letras maiúsculas. Seus planos arrojados, que “cortam” dentro da cena (a câmera se aproxima para o “close-up”, afasta-se para um plano de paisagem, roda num “dolly” em torno dos personagens, etc.), fazem extenso uso de 100 anos do vocabulário cinematográfico, sem concessões para planos-detalhe ou o esquema cansado do plano-contraplano do cinema indu...
129) "Conspiração do silêncio" ("Bad day at Black Rock", 1955) Dirigido pelo grande John Sturges (“Fugindo do inferno” e “Sete homens e um destino”), “Conspiração do silêncio” funciona como uma versão do faroeste “Matar ou Morrer” (1952), ambientada nos tempos modernos. Assim como o filme com Gary Cooper, a ação se passa durante poucas horas em Black Rock, uma cidade isolada de tudo. John MacReedy (Spencer Tracy, excelente), um misterioso forasteiro de um braço só, chega de trem para encontrar um amigo japonês, mas se depara com a hostilidade da população local. Suspeitando que algo aconteceu com seu amigo, ele enfrenta os capangas do fazendeiro Reno Smith (Robert Ryan) para tentar descobrir o segredo que a cidadezinha esconde. O roteiro enxuto consegue manter a tensão com poucos elementos e cenários: impossível não sentir o cerco social se fechando em torno do protagonista. Um dos primeiros filmes a discutir o racismo anti-japonês presente na sociedade a...
89) “Os vampiros” (“Les vampires”, 1915) Desde aquela fatídica sessão organizada pelos irmãos Lumière em 1895, o cinema se dividiu em duas grandes tendências. Com seus filmetes que reproduziam cenas banais como a chegada de um trem à estação ou a saída de operários de uma fábrica, os Lumière ressaltavam a importância do cinematógrafo na reprodução do movimento com exatidão, com interesse meramente científico. Por outro lado, outro espectador daquela sessão de cinema, o ilusionista Georges Meliès, deu outro significado à nova arte. Por meio de trucagens, Meliès se especializou em contar histórias mirabolantes, pouco se importando com o aspecto prático da nova geringonça e abraçando a faceta artística do cinema, com toda a liberdade e anarquia que a nova forma narrativa podia proporcionar. “Les vampires”, cinessérie policial em 10 episódios criada pelo prolífico Louis Feuillade (responsável pelos igualmente populares “Fantômas” e “Judex”, dois dos cerca de 500 títulos...
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